Journée Mondiale des Jeunes C…

Moi aussi, les JMJ de Rio m’inspirent le partage.

Un billet au parfum spécial aujourd’hui alors que des millions de gens, beaucoup de jeunes, beaucoup d’européens ou de nord-américains se réunissent dans un pays à l’autre bout de leur planète pour venir applaudir un pape « amis des pauvres », visiter quelques favelas et voir la pauvreté « en vrai » Lire la suite

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De Rio à Brasília…

A Rio de Janeiro, le calme est revenu. Les « vandales » sont retournés à leurs occupations. Malgré tout, les manifestations, de plus petites tailles continuent, comme celle de Dimanche aux environs du Maracanã, lors de la finale de la coupe des confédérations qui opposait le Brésil à l’Espagne. Nettement moins de gens donc, et moins aussi de drapeaux vert et jaune… Les choses semble se tasser un peu. Du côté étudiants, ça discute toujours beaucoup, on tente d’analyser et de tirer les leçons pour la gauche brésilienne (Pt).

Du côté des partis, le PSOL – Parti Socialiste e Liberté, sorte de Parti de Gauche Brésilien, représenté par le député Marcelo Freixo continue la lutte avec les autres Partis de la gauche brésiliennes, le PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, d’inspirations trotskyste, et autres membre du PT(Parti des travailleurs, celui de Dilmae Lula) ou du PCdoB (Parti Communiste du Brésil). Une commission d’investigationa été ouverte sous la pression populaire, mais rien de facile. Le conseil municipal fait tout son possible pour qu’on évite de déterrer les dossiers sensibles : celui du financement des campagnes politiques et notamment celle de Cabral e Pães, respectivement gouverneur de Rio-Etat et maire de Rio-Ville, par les entreprises de transport. Affaire à suivre…

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De mon côté, j’étais ces derniers jours en voyage à Brasília. La transition entre le mouvement social et ce voyage n’aura pas été trés difficile à trouver puisque dés mon arrivée sur le « Planalto », gigantesque plaine où sont réunis les différents ministères, le Congrés National Brésilien et autres monuments dessiner par le célèbre Oscar Niemeyer, décédé en Décembre dernier, je fus accueilli par une manifestations d’étudiants de l’Université fédérale de Brasília (UnB), accompagnés alors par d’autres organisations de défenses des femmes ou du mouvement des  Sans-Terre (MST).

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Ma surprise fut tout d’abord de n’entendre aucun slogan revendiquant le Passe Livre comme tel est le cas sur Rio et São Paulo. En effet, les étudiants de Brasília bénéficient déjà d’un pass transport. Loin d’être parfait puisqu’il ne permet que des déplacement de chez soi jusqu’à l’université durant les heures de cours, mais tout de même meilleurs. Sans compter le prix de base du ticket 30% moins chers que celui de Rio (2 R$ contre 2,75 R$- avant la feue tentative d’augmentation). Ce sont donc d’autres choses que l’on pouvait entendre à Brasília… 10% du PIB pour l’éducation ou la santé, fin de la criminalisation des mouvements sociaux, défense des droits des femmes etc. On m’a aussi rapporté comment ces « nouveaux nés » des manifestations se prenaient un peu trop au sérieux, au risques de mépriser les militants, sur le terrain depuis des années et qui n’ont pas attendus que « le géant se réveille ». Ceux-là ne dorment déjà plusdepuis de longues nuits…

Brasil : em direção a uma revolução cidadã*?

* O termo faz aqui referência ao Equador do Rafael Correa que inspirou uma parte da esquerda francesa (Fr)

(En version française  ici)

Como nosso amigo Quentin, eu me torno cidadã-mídia e trago meus « dois centavos » à discussão, sob a forma de um diálogo aberto com o que foi dito aqui (Fr) e ali (Fr).

O Brasil não é, e provavelmente nunca será, um bloco uniforme. Até há pouco tempo, ainda era um dos campeão em termos de desigualdade (Fr) e os dois mandatos da esquerda do PT de Lula e Dilma, certamente colocou a balança a favor dos explorados, mas sem nunca fundamentalmente questionar o sistema econômico – o capitalismo financiarizado – cujo princípio fundamental é a crescente mercantilização dos direitos humanos e até os humanos eles-mesmos e a exploração da maioria por uma minoria de pessoas.

A reação de uma parte dos 200 milhões de pessoas que conta o país é uma coisa espetacular, histórica na minha opinião. Em um país que viveu a ditadura e a interferência dos Estados-Unidos durante décadas, um tal vento de revolta parece saudável e proveitoso. Isso mostra que o país não dorme e que a democracia está viva. Um pensamento agora para o comentar de meu compatriota Jérôme Valcke, secretário geral da FIFA, tanto idiota quanto ele é francês,  mas que nos lembrou de como a organização de um evento global como a Copa do Mundo e os investimentos que foram necessários para a sua organização permanecem em total contradição com o respeito da população do país que o recebe e, assim, da democracia. Grande sabedoria do Môssieur Valke…brasil-protesto-rio-de-janeiro-20130620-31-size-598

Assim, uma parte do povo descendeu na rua. Ela não gostou dos 20 centavos suplementares que levaram do bolso dela sem lhe pedir permissão. Desta maneira, decidiu dar a opinião própria sobre a situação, do seu próprio jeito.

Como qualquer movimento popular, toda revolução ou movimento social, traz em si suas próprias contradições. Pintar o movimento como sendo da Direita como podemos ouvir, apenas por causa do fato de que é principalmente a classe média, urbana, educada e que têm acesso à saúde que foi mobilizada em primeiro lugar, é ridículo quando você olha para as reivindicações defendidas durante as manifestações e que são principalmente progressivas.

20ctProgressiva, primeiro porque é de saúde, educação, democracia direta, de direitos humanos das mulheres, dos trabalhadores, das minorias, dos negros, dos índios que se trata… Resumidamente, o caráter é universal. Ela procura se livrar da corrupção que impede a redistribuição das riquezas, do que o país é tão rico e as pessoas tão pobres. A classe média, certamente, foi para a escola elementar e ensino médio privados, tem plano de saúde, e muitas vezes uma empregada ou mais. Mas vamos parar. Será que ela não está pedindo um melhor acesso para todos ao SUS? Será que ela não exige que o aumento do salário mínimo que, sempre é bom lembrar, é hoje R$ 678 e que nem está suficiente para alugar um só pequeno quarto na principais cidades brasileiras como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. A classe média quer mais professores no setor público, e com melhores salários. Ela quer acabar com a criminalização dos movimentos sociais, infelizmente fenômeno também bem conhecido na Europa e na França (Fr), e outras coisas díspares como o direito ao aborto, o fim de leis como aquela sobre o estatuto de nascitura, o estado laico, etc. Não que eu quero dizer que todas estas últimas sejam desligadas das primeiras, ao contrário. Elas não são, de fato. Tratar por exemplo da precariedade dos professores no sistema educacional público atual, pode facilmente ser entendido como causa feminista pelo simples fato que muitos professores, são professoras !

A massa, como eu já expliquei, é heterogênea e, por definição, a sua cólera agregou uma série de perfis de atores muitos diferentes. Assim, seria absurdo negar que uma parte tem inspirações conservadoras, até mesmo reacionárias. O papel desempenhado pelos mídias parece-me aqui fundamental na construção do discurso antirrevolucionário que está em processo, até as vezes dentro do povo de esquerda.

Então, assistimos primeiro a inúmeros de cenas das violências que ocorreram durante os protestos. Cenas que servem primeiro, a desencorajar qualquer um que viu para essas imagens de chegar e se juntar às manifestações. Servem em seguido a deslegitimar os manifestantes, e mais importante suas reivindicações. Mas em frente da violência, incontestável e pouco contestada (artigo para assinantes (fr)) das forças policiais, que vamos discutir em breve, as grandes mídias, incluindo a Globo, mudaram a estratégia delas. De fato, a Globo, com o monopólio do da audiência / dos meios financeiros à sua disposição, o que é em si caricatura ao suficiente sem ter que se expandir muito mais sobre o assunto (ver « Na América Latina, os governos enfrentam os patrões Pressione « – artigo disponível aqui), viram os eventos como sendo contra a presidente Dilma e em favor da alternância. Inútil será de dizer que é claramente posicionada à direita. Isso não é tão surpreendente quando se conhece a história dela e quando se sabe – é sempre bom acordar memórias enterradas –  que ela apoiou o golpe d Estado golpe de 1964, ainda celebrado como uma revolução do lado dos militares.

A Rede Globo, como as outras mídias, não sendo mais em capacidade de negar a importância da mobilização começou por escolher seus líderes, na objetividade que o livre exercício da profissão exige, é claro. Ali surgiu o « novo Brasil », os « gigante acordou » e outros palavras de ordem completamente orientada em direção de um tipo de nacionalismo de fachada despolitizada, na realidade politizada à direita da direita. Devo dizer que a Globo é muito bom no que faz. Quando começou a trabalhar, se esforçou, e o resultado foi certamente à altura do melhor que ela sabe fazer.

As grandes mídias, aliados bondosas dos grupos de direitos e extrema-direita que tentam se infiltrar em eventos, são vaiados na rua, e com razão na minha opinião. Os jornalistas da rede são, portanto, obrigados a se esconder e remover os seus sinais em perigo de ser apedrejada … O círculo é completo. Depois de violências contra a polícia, os manifestantes do « mal », que não usam o amarelo e verde, se você seguir, agora contra a liberdade de imprensa. Mas o que faz a polícia?

17jun2013---pm-espirra-spray-de-pimenta-sobre-manifestante-durante-protesto-no-rio-de-janeiro-contra-aumento-das-tarifas-de-onibus-na-noite-desta-segunda-feira-17-protestos-eclodiram-em-sete-capitais-1371550052055_1920x1080Bem, a polícia, também, na medida em que é um bom aluno, ela trabalha, se aplica e se esforça, muito. E duro. Por mais duro que puder. Tanto duro  que um golpe em um crânio de hippie-à-flor. Ela gaze, bate, persegue inabalável para as ruas, lança as famosas bombas de som que ajoelhar um regular de rave cabeça colada à caixa de som, ela também prende ali 40 pessoas, 50 lá, ela também é pegada em flagrante quando libera colegas infiltrados … É tão discreta que tem direito a abertura de um processo de investigação. Deve ser dito que a polícia, não é qualquer: é militar. Esta é mais uma vez o tema de uma reivindicação por parte de diferentes organizações marchando nas últimas semanas: a desmilitarização simples e completa da PM, ou seja sua dissolução.

Se o movimento, que pode por alguns pontos lembrar aquele dos indignados na Espanha,  (ainda) é confuso, e talvez o ficará, não é por isso que não tem reivindicações claras, palavras de ordem e projetos políticos. O governo está tentando conter a raiva e fazer migrar a pauta para uma reforma política, espalhando no mesmo tempo alguns milhões aqui e ali …

Entre as várias reivindicações, achamos aquelas do Fórum Lutas contra o aumento da Passagem, concretas como por exemplo:

  • Transporte gratuito;
  • Parar de privatização nos setores de educação, saúde, esportes, transporte;
  • Parar a criminalização dos movimentos sociais;
  • Fim da repressão e desmilitarização da polícia;
  • Democratização da informação e fim dos monopólios;

Isso não corresponde exatamente à reforma projeto sob Dilma…

Lembre-se que o Brasil é um Estado federal e que a maioria dessas alegações se referem a estados específicos. Á seguir. Eu já posso dizer que o dia da final da Copa das Confederações, que será realizada no Maracanã do Rio de Janeiro provavelmente risca de ser animado.

Vamos também apostar que a pressão popular venha a impor uma verdadeira reforma da Constituição, que poderia incluir os requisitos listados acima, nas quais se juntariam outras demandas populares em relação aos direitos dos trabalhadores, povos indígenas, luta contra o racismo ou defesa dos direitos das mulheres. Para isso, a Assembleia Constituinte tarefada de redigir uma nova constituição será formada pelo  povo e eleita por ele. Além do próprio poder político, quem teria a ideia absurdo de de permitir que seja o próprio poder político que decidiria das regras que ele deveria seguir no futuro?

Se uma revolução dos cidadãos acontece, o Brasil se caminharia em direção de uma nova era democrática. Uma era onde o debate não está mais sufocado por jogos institucionais e mediáticos obscuros, mas onde o confronto de ideias poderia finalmente permitir que projetos de novas sociedades existasse, ao lado dos antigos, e talvez, eu o desejo, substituí-los.

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Brésil: Vers une révolution citoyenne ?

Comme notre ami Quentin, je me mets moi aussi en mode citoyen-média et j’apporte mon grain de sel en forme de dialogue ouvert avec ce qui à été dit ici et .

(Versão portuguesa disponível aqui)

Le Brésil n’est pas, et ne sera sans doute jamais, un bloc uniforme. Jusqu’à peu, il était encore l’un des champion en termes d’inégalité et les divers mandats de la gauche PT de Lula et Dilma auront certes fait peser la balance du côté des exploités, mais sans jamais remettre fondamentalement en question un système économique – le capitalisme financiarisé – dont le principe fondamental consiste en la marchandisation croissante des droits humains, jusqu’aux hommes eux-mêmes et à l’exploitation d’une majorité par une minorité.

La réaction d’une partie des 200 millions d’habitants que compte le pays est une chose spectaculaire, historique à mon sens. Dans un pays qui a connu la dictature et l’ingérence États-Unienne durant des décénnies, un tel vent de révolte me  paraît sain et salutaire. Il prouve que le pays ne dort pas et que la démocratie y est vivante. On repensera ici au commentaire de notre compatriote Jérôme Valcke, secrétaire général de la Fifa, aussi imbécile qu’il est français, qui nous rappelait comment l’organisation d’un évènement mondial comme la coupe du monde et les investissements qui étaient nécessaires à son organisation entraient en totale opposition avec le respect de la population du pays qui l’accueille et donc de la démocratie. On ne saurait lui donner tort ici.

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Une partie du peuple est donc descendu dans la rue. Elle n’a pas aimé les 20 centavos de plus qu’on lui prenait dans la poche sans lui demander la permission. Elle a donc donné son avis sur la situation, à sa manière.

Comme tout mouvement populaire, toute révolution, ou tout mouvement social, il porte en lui-même ses propres contradictions. Qualifier le mouvement de Droite comme on peut l’entendre simplement à cause du fait que c’est majoritairement la classe moyenne, citadine, soignée et éduquée qui s’est en premier mobilisée, est ridicule lorsqu’on voit les revendications majoritairement progressistes qui  sont défendues lors de ses mobilisations.

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Progressive d’abord, car c’est bien de santé, d’éducation, de démocratie directe, de défense des droits des femmes, des salariés, des minorités, des noirs, des indiens… bref, la portée première est universaliste. Elle cherche à se défaire de la corruption qui l’empêche de redistribuer les richesses dont le pays est tant riche, et son peuple tant pauvre. La classe moyenne, certes est allé en école primaire et collège privés, possède un plano de saúde, et souvent une ou plusieurs empregadas. Mais ne demande-t-elle pas un accès meilleurs et pour tous aux SUS, les unités décentralisées de santé, sorte de maison de santé de quartier. Ne demande-t-elle pas l’élévation du SMIC qui, il faut le rappeler, est aujourd’hui à R$ 678 (260€) et est bien loin de permettre de louer ne serait-ce qu’une chambre dans les grandes villes comme Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou São Paulo. La classe moyenne veut plus de professeurs dans le publique, et qu’ils soient mieux payer. Elle veut la fin de la criminalisation des mouvements sociaux, phénomène malheureusement bien connu en Europe et en France, et des choses aussi très hétéroclites comme le droit à l’avortement, la fin de certaines lois sur le statut légal du fétus, la laïcité etc.

La masse, comme je l’ai déjà expliqué, est hétérogène, et par définition sa colère a regroupé beaucoup de profils très différents. Ainsi serait-il tout à fait idiot de nier qu’une partie a des inspirations conservatrices, voire réactionnaires. Le rôle joué par les médias me paraît ici fondamental dans la construction du discours antirévolutionnaire qui est à l’œuvre, même chez le peuple de gauche.

Ainsi, sont tout d’abord montrées en boucle les scènes de violences des manifestants. Scènes qui servent dans un premier temps à décourager quiconque qui regarderait ces images de venir se joindre aux manifestations, et qui permet ensuite de délégitimer les manifestants, et d’une pierre trois coups, leurs revendications. Mais devant la violence, incontestable et incontesté (article abonnés) des forces de l’ordre, que nous allons bientôt évoquer, les médias dominants, dont la Globo, ont changé leur stratégie. En effet, la Globo, avec le monopole d’audience/de moyen dont elle dispose qui est en soi suffisamment caricatural  pour ne pas avoir à s’étendre beaucoup plus sur le sujet (cf. « En Amérique latine, des gouvernements affrontent les patrons de presse » – article dispo ici), à pu voir dans les évènements une protestation contre la présidente Dilma et pour une alternance. Inutile de dire qu’elle est clairement situé à droite donc, ce qui n’étonnera personne lorsqu’on connait son histoire et que l’on sait – il est toujours bon de réveiller les souvenirs enfouis – qu’elle a soutenu  le coup d’État de 1964, coup d’État encore aujourd’hui célébré comme une révolution du côté des militaires.

La Globo comme les autres, ne pouvant plus nier l’importance de la mobilisation, a donc commencé par choisir ses leaders, dans l’objectivité que l’exercice libre de la profession oblige, bien sûr. On a donc vu apparaître, le « nouveau brésil », le « géant qui se réveille » et autres distorsions complètement orientées vers une espèce de nationalisme totalement dépolitisé en façade, en réalité politisé à la droite de la droite. Il faut le dire, la Globo est très bonne dans ce qu’elle fait. Elle s’est mise au travail, et le résultat est à la hauteur de ce qu’elle sait sans doute faire de mieux.

Les médias, alliés bienveillants des groupes de droites et d’extrême droite qui tenteront d’infiltrer les manifestations, sont donc conspués dans la rue, à raison selon moi. Les journalistes de la chaîne sont ainsi forcés de se cacher et d’enlever leur signes, sous risque de recevoir des pierres… La boucle est bouclée. Après être violent contre la police, les « mauvais » manifestants, ceux qui ne portent pas la bannière Jaune et Verte si vous suivez bien, sont donc désormais contre la liberté de la presse. Mais que fait la police ?

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Et bien la police, elle aussi, en bonne élève qu’elle est, elle travaille. Et dur. Aussi dur qu’elle le peut. Aussi dur qu’un coup de matraque sur un crâne d’hippie-à-fleur. Elle gaze, elle frappe, elle poursuit sans relâche, jusque dans les ruelles, elle jette les fameuses bombes sonores qui vous laisserait à genoux un habitué des rave l collée aux enceintes; aussi la police interpelle, arrête, ici 40, là 50 personnes, elle est aussi prise en flag quand elle relâche ses collègues infiltrés… Tellement pas discrète qu’on lui colle une enquête sur le dos. Il faut dire que la police, elle est militaire. Ce qui est là encore l’objet d’une revendication de la part de différentes organisations qui défilent ces dernières semaines : sa démilitarisation simple et totale.

Si le mouvement, qui peut rappeler celui des indignados en Espagne, est (encore) désordonné, peut-être le restera-t-il, il n’en a pas moins des revendications, des mots d’ordres et des projets politiques. Le gouvernement tente, tant bien que mal, de contenir la colère et de faire migrer l’agenda vers une réforme politique et en sous-poudrant quelques millions ici et là…

Parmi les diverses revendications, on a celle du Fórum de Lutas contra o aumento da passagem, concrètes, qui sont défendu à Rio par exemple concernant :

  • Transports gratuits;
  • Arrêt des privatisations dans les secteurs de l’éducation, la santé, le sport, les transports;
  • Arrêt de la criminalisation des mouvements sociaux;
  • Fin de la répression et démilitarisation de la Police;
  • Démocratisation de l’information et fin des monopoles;

Ce qui ne correspond pas du tout au projet de réforme prévue par Dilma. Rappelons que le Brésil est un État fédéral et que la plupart de ces revendications concrètes concernent les États fédérés. À suivre donc… Je peux déja vous dire que la journée de la  finale de la coupe de la confédération qui va avoir lieu au Maracanã de Riode Janeiro risque fort d’être annimée.

Faisons le pari aussi que la pression populaire arrivera à imposer une vraie reforme de la constitution qui pourrait comprendre les exigences citées ci-dessus, auxquelles se joindraient d’autres exigences populaires en relation au droits des salariés, des indiens, au racisme ou à la défense des droits des femmes. Pour cela, l’assemblée constituante chargée d’écrire une nouvelle constitution devra donc être formée au sein du peuple et élue par lui. À part le pouvoir politique lui-même, à qui viendrait l’idée de laisser le pouvoir politique décider des règles qui devraient lui être appliquées par la suite ?

Si révolution citoyenne il y a, le Brésil se dirigerait alors vers une nouvelle ère démocratique. Celle où le débat ne serait plus étouffé par des jeux institutionnels et médiatiques obscures mais où la confrontation d’idée permettrait à des projets de sociétés nouvelles d’exister, à côté des anciens, et peut-être, je le souhaite, les remplacer.

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Épilogue de la soirée de Jeudi

La suite du journal de bord de notre ami Quentin, correspondant local et citoyen-média en direct depuis Rio de Janeiro, Brésil.
Rio de Janeiro, le 24 Juin
Bon, alors épilogue de la soirée de Jeudi: après mon retour à la maison, la police a en effet poursuivi les manifestants dans les rues à bord de voitures de police, mais aussi de blindés, et a usé de flashball sur les citoyens en déroute, ainsi que de gaz lacrymogène parfois lancé dans des botequins (bars)…

Protesto-Rio_AEFabioMotta_PLa police n’est effectivement pas formée à contenir ce type de manifestation populaire, elle agit comme en temps de guerre civile, la seule différence avec cette situation est qu’elle use d’armes non-létales, évidemment. Mais les méthodes sont effrayantes: rues barrées, poursuite des manifestants en retraite, arrestations arbitraires (à São Paulo, ont été arrêtés la semaine dernière bon nombre de manifestants qui avaient du vinaigre dans leur sac: cela atténue les effets du gaz au poivre. Avant les manifestations de Jeudi [à confirmer] il semblerait que des personnes actives sur Facebook [on ne peut pas parler de « leader »] aient été assignées à résidence pour la soirée… Le lien pour moi, pour mémoire, d’où vient l’information)…

La police militaire agit sous les ordres du gouverneur de l’état, Cabral à Rio.

Toutes les manifestations n’ont pas dégénéré avec les forces de police (comme se complaît à le montrer Globo), dans certains états (Minas Gerais, Santa Catarina), celles-ci ont même appuyé l’action du peuple en le laissant manifester devant les édifices publics et en n’arrêtant que les vandales. Notons qu’à Belo Horizonte [capitale du Minas Gerais] le commandant était une commandante, ceci explique peut-être cela…

Cette semaine va être plus calme jusqu’à Jeudi au moins: c’est le moment réflexion des manifestants. Il y a des rassemblements un peu partout, lancés sur les réseaux sociaux, pour discuter de la ligne à tenir… Mais tout cela est très flou, les mouvements de gauche et les étudiants sont très désorganisés. On a pu assister dans les dernières manifs à des comportements induits par des groupes aux motivations obscures sur Facebook: souvent ils se réclament de gauche et créent une page d’invitation à la manifestation. Tudo bem. Sur leur page, ils incitent les participants à se vêtir de blanc (symbole de non-adhérence à un parti), à se grimer de vert et jaune, à porter le drapeau Brésilien et chanter l’hymne national… Quand on y regarde de plus près, il arrive que les créateurs de ces pages soient des gens bien à droite tenant des propos quasi fascistes. Car de fait, la manifestation au début était sans parti, née spontanément sur les réseaux sociaux. Certains y ont vu là une source d’orgueil et ont clamé bien fort que cette manif était celle d’un peuple, pas d’un parti. Tudo bem. Sauf que, l’amalgame [marre de la corruption –> Les politiques sont tous corrompus –> Les partis, c’est le mal] aidant, la masse adoptant facilement les slogans simplistes trouvés sur facebook et soufflés par des groupes comme ceux cités ci-avant, on passe subtilement de « Nous n’avons pas de parti » (après tout pourquoi pas?) à « Nous ne voulons pas des partis »! Le peuple se retrouve sans s’en être aperçu à scander des slogans fascistes! Pourtant, l’histoire n’est pas loin, la première chose que fait un régime autoritaire quand il arrive au pouvoir, c’est bien d’interdire les partis…

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Dérive dangereuse du mouvement dont certains commencent à s’alarmer. Nous somme lundi, il doit y avoir au moins deux ou trois réunions prévues tous les jours cette semaine par des gens qui n’assument pas un rôle de leader. « Venez nombreux, on va discuter », c’est le fond creux de la majorité des ces évènements. Mais de quoi? Quelle est la ligne politique? Qui représentez-vous? Quels sont les points que vous soutenez? Il faudrait choisir un objectif et s’y tenir, tout le monde dans cette foule ne manifeste pas pour les mêmes raisons, certains veulent sortir le PT [Parti des Travailleurs, initialement à gauche, aujourd’hui plus au centre] actuellement au pouvoir, d’autres veulent des transports gratuits, d’autres encore la révocation de la PEC-37 [loi qui ampute le rayon d’action de la justice pour les enquêtes criminelles dans les ministères fédéraux et d’état. S’il y a de la corruption, par exemple, aucun organe régulateur ne peut venir fourrer son nez dans l’affaire! Ca me paraît fou. J’ai lu le texte, mais mon Portugais ne permet pas bien de tout comprendre, je vois bien qu’on noie un poisson en parlant du travail exemplaire des flics, du citoyen aux droits inaliénables blablabla, de la patrie, mais je ne vois pas le corps de la réforme. J’attends des explications de Lusophones] il y a un maquis à éclaircir et pour l’instant, aucun groupe de gauche ne parvient à fédérer le mouvement.

aumento_passagemA défaut de représentant de la manif, le gouvernement va parler avec le groupe « Passe Livre » [groupe qui depuis 8 ans demande la gratuité des transports à SP et déclencheur plus ou moins malgré lui des énormes manifestations actuelles] de São Paulo. Enfin, Dilma a annoncé qu’elle allait revoir la législation sur le financement des campagnes. Alors là, je ne suis pas au point, mais il paraît qu’il est légal d’avoir des financements privés dans les campagnes d’élections municipale et d’état. Pour le coup, la corruption devient inhérente au système: si Paes a été financé par les compagnies de transport, comment croire qu’il ne leur est pas obligé? Mais là, je manque de doc [et chez nous, c’est comment? Je sais que les présidentielles sont remboursées à une certaine hauteur si on a les 500 signatures, mais et les municipales? Je suis pas au point].

Bon, je retourne lire un peu, je vais me documenter sur le scandale du Mensalão.

Q.