Les paradoxes du « réveil de la rue » au Brésil – (MDL)

Les paradoxes du « réveil de la rue » au Brésil – Mémoire des luttes.

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De Rio à Brasília…

A Rio de Janeiro, le calme est revenu. Les « vandales » sont retournés à leurs occupations. Malgré tout, les manifestations, de plus petites tailles continuent, comme celle de Dimanche aux environs du Maracanã, lors de la finale de la coupe des confédérations qui opposait le Brésil à l’Espagne. Nettement moins de gens donc, et moins aussi de drapeaux vert et jaune… Les choses semble se tasser un peu. Du côté étudiants, ça discute toujours beaucoup, on tente d’analyser et de tirer les leçons pour la gauche brésilienne (Pt).

Du côté des partis, le PSOL – Parti Socialiste e Liberté, sorte de Parti de Gauche Brésilien, représenté par le député Marcelo Freixo continue la lutte avec les autres Partis de la gauche brésiliennes, le PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, d’inspirations trotskyste, et autres membre du PT(Parti des travailleurs, celui de Dilmae Lula) ou du PCdoB (Parti Communiste du Brésil). Une commission d’investigationa été ouverte sous la pression populaire, mais rien de facile. Le conseil municipal fait tout son possible pour qu’on évite de déterrer les dossiers sensibles : celui du financement des campagnes politiques et notamment celle de Cabral e Pães, respectivement gouverneur de Rio-Etat et maire de Rio-Ville, par les entreprises de transport. Affaire à suivre…

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De mon côté, j’étais ces derniers jours en voyage à Brasília. La transition entre le mouvement social et ce voyage n’aura pas été trés difficile à trouver puisque dés mon arrivée sur le « Planalto », gigantesque plaine où sont réunis les différents ministères, le Congrés National Brésilien et autres monuments dessiner par le célèbre Oscar Niemeyer, décédé en Décembre dernier, je fus accueilli par une manifestations d’étudiants de l’Université fédérale de Brasília (UnB), accompagnés alors par d’autres organisations de défenses des femmes ou du mouvement des  Sans-Terre (MST).

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Ma surprise fut tout d’abord de n’entendre aucun slogan revendiquant le Passe Livre comme tel est le cas sur Rio et São Paulo. En effet, les étudiants de Brasília bénéficient déjà d’un pass transport. Loin d’être parfait puisqu’il ne permet que des déplacement de chez soi jusqu’à l’université durant les heures de cours, mais tout de même meilleurs. Sans compter le prix de base du ticket 30% moins chers que celui de Rio (2 R$ contre 2,75 R$- avant la feue tentative d’augmentation). Ce sont donc d’autres choses que l’on pouvait entendre à Brasília… 10% du PIB pour l’éducation ou la santé, fin de la criminalisation des mouvements sociaux, défense des droits des femmes etc. On m’a aussi rapporté comment ces « nouveaux nés » des manifestations se prenaient un peu trop au sérieux, au risques de mépriser les militants, sur le terrain depuis des années et qui n’ont pas attendus que « le géant se réveille ». Ceux-là ne dorment déjà plusdepuis de longues nuits…

Brasil : em direção a uma revolução cidadã*?

* O termo faz aqui referência ao Equador do Rafael Correa que inspirou uma parte da esquerda francesa (Fr)

(En version française  ici)

Como nosso amigo Quentin, eu me torno cidadã-mídia e trago meus « dois centavos » à discussão, sob a forma de um diálogo aberto com o que foi dito aqui (Fr) e ali (Fr).

O Brasil não é, e provavelmente nunca será, um bloco uniforme. Até há pouco tempo, ainda era um dos campeão em termos de desigualdade (Fr) e os dois mandatos da esquerda do PT de Lula e Dilma, certamente colocou a balança a favor dos explorados, mas sem nunca fundamentalmente questionar o sistema econômico – o capitalismo financiarizado – cujo princípio fundamental é a crescente mercantilização dos direitos humanos e até os humanos eles-mesmos e a exploração da maioria por uma minoria de pessoas.

A reação de uma parte dos 200 milhões de pessoas que conta o país é uma coisa espetacular, histórica na minha opinião. Em um país que viveu a ditadura e a interferência dos Estados-Unidos durante décadas, um tal vento de revolta parece saudável e proveitoso. Isso mostra que o país não dorme e que a democracia está viva. Um pensamento agora para o comentar de meu compatriota Jérôme Valcke, secretário geral da FIFA, tanto idiota quanto ele é francês,  mas que nos lembrou de como a organização de um evento global como a Copa do Mundo e os investimentos que foram necessários para a sua organização permanecem em total contradição com o respeito da população do país que o recebe e, assim, da democracia. Grande sabedoria do Môssieur Valke…brasil-protesto-rio-de-janeiro-20130620-31-size-598

Assim, uma parte do povo descendeu na rua. Ela não gostou dos 20 centavos suplementares que levaram do bolso dela sem lhe pedir permissão. Desta maneira, decidiu dar a opinião própria sobre a situação, do seu próprio jeito.

Como qualquer movimento popular, toda revolução ou movimento social, traz em si suas próprias contradições. Pintar o movimento como sendo da Direita como podemos ouvir, apenas por causa do fato de que é principalmente a classe média, urbana, educada e que têm acesso à saúde que foi mobilizada em primeiro lugar, é ridículo quando você olha para as reivindicações defendidas durante as manifestações e que são principalmente progressivas.

20ctProgressiva, primeiro porque é de saúde, educação, democracia direta, de direitos humanos das mulheres, dos trabalhadores, das minorias, dos negros, dos índios que se trata… Resumidamente, o caráter é universal. Ela procura se livrar da corrupção que impede a redistribuição das riquezas, do que o país é tão rico e as pessoas tão pobres. A classe média, certamente, foi para a escola elementar e ensino médio privados, tem plano de saúde, e muitas vezes uma empregada ou mais. Mas vamos parar. Será que ela não está pedindo um melhor acesso para todos ao SUS? Será que ela não exige que o aumento do salário mínimo que, sempre é bom lembrar, é hoje R$ 678 e que nem está suficiente para alugar um só pequeno quarto na principais cidades brasileiras como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. A classe média quer mais professores no setor público, e com melhores salários. Ela quer acabar com a criminalização dos movimentos sociais, infelizmente fenômeno também bem conhecido na Europa e na França (Fr), e outras coisas díspares como o direito ao aborto, o fim de leis como aquela sobre o estatuto de nascitura, o estado laico, etc. Não que eu quero dizer que todas estas últimas sejam desligadas das primeiras, ao contrário. Elas não são, de fato. Tratar por exemplo da precariedade dos professores no sistema educacional público atual, pode facilmente ser entendido como causa feminista pelo simples fato que muitos professores, são professoras !

A massa, como eu já expliquei, é heterogênea e, por definição, a sua cólera agregou uma série de perfis de atores muitos diferentes. Assim, seria absurdo negar que uma parte tem inspirações conservadoras, até mesmo reacionárias. O papel desempenhado pelos mídias parece-me aqui fundamental na construção do discurso antirrevolucionário que está em processo, até as vezes dentro do povo de esquerda.

Então, assistimos primeiro a inúmeros de cenas das violências que ocorreram durante os protestos. Cenas que servem primeiro, a desencorajar qualquer um que viu para essas imagens de chegar e se juntar às manifestações. Servem em seguido a deslegitimar os manifestantes, e mais importante suas reivindicações. Mas em frente da violência, incontestável e pouco contestada (artigo para assinantes (fr)) das forças policiais, que vamos discutir em breve, as grandes mídias, incluindo a Globo, mudaram a estratégia delas. De fato, a Globo, com o monopólio do da audiência / dos meios financeiros à sua disposição, o que é em si caricatura ao suficiente sem ter que se expandir muito mais sobre o assunto (ver « Na América Latina, os governos enfrentam os patrões Pressione « – artigo disponível aqui), viram os eventos como sendo contra a presidente Dilma e em favor da alternância. Inútil será de dizer que é claramente posicionada à direita. Isso não é tão surpreendente quando se conhece a história dela e quando se sabe – é sempre bom acordar memórias enterradas –  que ela apoiou o golpe d Estado golpe de 1964, ainda celebrado como uma revolução do lado dos militares.

A Rede Globo, como as outras mídias, não sendo mais em capacidade de negar a importância da mobilização começou por escolher seus líderes, na objetividade que o livre exercício da profissão exige, é claro. Ali surgiu o « novo Brasil », os « gigante acordou » e outros palavras de ordem completamente orientada em direção de um tipo de nacionalismo de fachada despolitizada, na realidade politizada à direita da direita. Devo dizer que a Globo é muito bom no que faz. Quando começou a trabalhar, se esforçou, e o resultado foi certamente à altura do melhor que ela sabe fazer.

As grandes mídias, aliados bondosas dos grupos de direitos e extrema-direita que tentam se infiltrar em eventos, são vaiados na rua, e com razão na minha opinião. Os jornalistas da rede são, portanto, obrigados a se esconder e remover os seus sinais em perigo de ser apedrejada … O círculo é completo. Depois de violências contra a polícia, os manifestantes do « mal », que não usam o amarelo e verde, se você seguir, agora contra a liberdade de imprensa. Mas o que faz a polícia?

17jun2013---pm-espirra-spray-de-pimenta-sobre-manifestante-durante-protesto-no-rio-de-janeiro-contra-aumento-das-tarifas-de-onibus-na-noite-desta-segunda-feira-17-protestos-eclodiram-em-sete-capitais-1371550052055_1920x1080Bem, a polícia, também, na medida em que é um bom aluno, ela trabalha, se aplica e se esforça, muito. E duro. Por mais duro que puder. Tanto duro  que um golpe em um crânio de hippie-à-flor. Ela gaze, bate, persegue inabalável para as ruas, lança as famosas bombas de som que ajoelhar um regular de rave cabeça colada à caixa de som, ela também prende ali 40 pessoas, 50 lá, ela também é pegada em flagrante quando libera colegas infiltrados … É tão discreta que tem direito a abertura de um processo de investigação. Deve ser dito que a polícia, não é qualquer: é militar. Esta é mais uma vez o tema de uma reivindicação por parte de diferentes organizações marchando nas últimas semanas: a desmilitarização simples e completa da PM, ou seja sua dissolução.

Se o movimento, que pode por alguns pontos lembrar aquele dos indignados na Espanha,  (ainda) é confuso, e talvez o ficará, não é por isso que não tem reivindicações claras, palavras de ordem e projetos políticos. O governo está tentando conter a raiva e fazer migrar a pauta para uma reforma política, espalhando no mesmo tempo alguns milhões aqui e ali …

Entre as várias reivindicações, achamos aquelas do Fórum Lutas contra o aumento da Passagem, concretas como por exemplo:

  • Transporte gratuito;
  • Parar de privatização nos setores de educação, saúde, esportes, transporte;
  • Parar a criminalização dos movimentos sociais;
  • Fim da repressão e desmilitarização da polícia;
  • Democratização da informação e fim dos monopólios;

Isso não corresponde exatamente à reforma projeto sob Dilma…

Lembre-se que o Brasil é um Estado federal e que a maioria dessas alegações se referem a estados específicos. Á seguir. Eu já posso dizer que o dia da final da Copa das Confederações, que será realizada no Maracanã do Rio de Janeiro provavelmente risca de ser animado.

Vamos também apostar que a pressão popular venha a impor uma verdadeira reforma da Constituição, que poderia incluir os requisitos listados acima, nas quais se juntariam outras demandas populares em relação aos direitos dos trabalhadores, povos indígenas, luta contra o racismo ou defesa dos direitos das mulheres. Para isso, a Assembleia Constituinte tarefada de redigir uma nova constituição será formada pelo  povo e eleita por ele. Além do próprio poder político, quem teria a ideia absurdo de de permitir que seja o próprio poder político que decidiria das regras que ele deveria seguir no futuro?

Se uma revolução dos cidadãos acontece, o Brasil se caminharia em direção de uma nova era democrática. Uma era onde o debate não está mais sufocado por jogos institucionais e mediáticos obscuros, mas onde o confronto de ideias poderia finalmente permitir que projetos de novas sociedades existasse, ao lado dos antigos, e talvez, eu o desejo, substituí-los.

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